Hoje eu acordei cedo e a primeira coisa que fiz foi olhar no celular. Não. Ela não mandou nenhuma mensagem, à noite, dizendo que a saudade falou mais alto.
“segui em frente”... ecoava na minha mente mal dormida.
Levantei da cama, dei comida pro Zeus, - o cachorro mais amoroso que eu já tive - pra Vênus- a gata mais implicante da Terra- e fui em direção ao banheiro.
Cada gota de água que escorria pelo meu corpo era como se um pedaço dela fosse escoando também em direção ao ralo. O cheiro dela estava entranhado na minha pele, no meu cabelo, na minha boca...
“eu te amo”... E só o que eu ouvia de volta era o seu gemido de prazer... eu sabia. Era a despedida; só não queria acreditar.
Vesti a camisa de “A hora de Aventura” que ela me dera no nosso aniversário de 1 ano. Troquei. Não tinha mais o mesmo sentido pra mim. Antes me causava sorrisos quando me olhava com ela no espelho, agora... náuseas, uma vazio tão grande que doía. O perfume? Nem me atrevi a tocar na embalagem. Tudo lembrava ela.
Que saco!
Já eram quase 8h. À espera do ônibus, eu fui perceber que meu celular tinha ficado em casa. Voltei correndo, afinal nossa vida está quase toda atrelada a esse pequeno parceiro. E, para mim, ele era mais que isso, ele era quase que meu melhor amigo. Por isso, talvez, que ela sempre fazia questão de irmos para o terraço onde o sinal era péssimo.
Abri a porta ofegante pensando na possibilidade de não ter esquecido em casa, mas, sim, ter deixado cair do bolso no curto trajeto para o ponto de ônibus. A vibração dele, ao tocar, me aliviou. Um alívio que logo se tornou em desespero ao ler o nome dela na tela.
_ Chadna?...
(Continua)
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