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Mostrando postagens de novembro, 2017

EPISÓDIO 3: Chadna

_ Você leva a garota imunda desse jeito pra rua, pai? O que deu em você? _ Eu tinha que ir no mercado; não podia deixar ela sozinha em casa. Ela é criança. Crianças se sujam. _ Imagina o que as pessoas vão dizer... “olha lá a filha da Susan, imunda, andando pela rua... a mãe não  cuida da própria filha e o avô... nem liga...” Gritos; brigas. Eu me  angustiava todas as vezes que alguém brigava perto de mim e me apavorava quando eu era o motivo da discussão. “IMUNDA... IMUNDA ...” Essa palavra ficou ecoando na minha cabeça desde então  e me atormentava durante o sexo; na hora do banho, eu me ensaboava e enxaguava 3 vezes e, em dias de crise, 6. Hoje é um desses dias. Eu perdi meu melhor amigo e meu namorado ao mesmo tempo, dura e lentamente. O pior de tudo é que os dois eram a mesma pessoa. Não. Ele não morreu, mas a dor, talvez, seria a mesma. Eu tentei. Eu juro. Porém, foi mais forte do que eu. Ele é bom demais pra mim e  eu sou complicada demais pra ele. Te...

EPISÓDIO 2: A crise

Eu só ouvia ruídos e o som de gotas de água caindo numa poça. _ Chadna... amor, você tá aí? Nenhuma resposta. Fiquei apavorado. Não estava querendo dirigir, mas peguei o carro e fui correndo pra casa dela; eu sabia: a maldita crise. Subi direto para o apartamento; o porteiro já me conhecia e eu tinha a chave de emergência comigo; fui rapidamente para o banheiro... lá estava ela. Meu coração parou por alguns milésimos de segundo. Eu já estava acostumado a ver pessoas à beira da morte no trabalho, mas era ela... a minha Chad.  Não, não, não, não, não... a minha Chá não. Verifiquei a pressão antes de tudo e estava muito baixa; logo vi a embalagem de Propranolol (remédio com efeito diminuidor da pressão arterial) quase vazia ao seu lado.  Peguei-a no colo e fui para o hospital mais próximo: o meu. _ Overdose medicamentosa! Urgência agora! Eu não pude entrar, afinal eu não era médico, mas meu pai, sim. _ Cuida dela, por favor... Foram as únicas palavras que eu consegui d...

Episódio 1: Tito

Hoje eu acordei cedo e a primeira coisa que fiz foi olhar no celular. Não. Ela não mandou nenhuma mensagem, à noite, dizendo que a saudade falou mais alto. “segui em frente”...  ecoava na minha mente mal dormida. Levantei da cama, dei comida pro Zeus, - o cachorro mais amoroso que eu já tive - pra Vênus- a gata mais implicante da Terra- e fui em direção ao banheiro. Cada gota de água que escorria pelo meu corpo era como se um pedaço dela fosse escoando também  em direção ao ralo. O cheiro dela estava entranhado na minha pele, no meu cabelo, na minha boca... “eu te amo”... E só o que eu ouvia de volta era o seu gemido de prazer... eu sabia. Era a despedida; só não queria acreditar. Vesti a camisa de “A hora de Aventura” que ela me dera no nosso aniversário de 1 ano. Troquei. Não tinha mais o mesmo sentido pra mim. Antes me causava sorrisos quando me olhava com ela no espelho, agora... náuseas, uma vazio tão grande que doía. O perfume? Nem me atrevi a tocar na embalag...