“Coma”. Essa palavra veio destruindo toda a estabilidade mental e emocional que eu ainda tinha naquele momento. Eu só conseguia pensar em uma pessoa: minha mãe. Já havia 3 anos do seu falecimento e 1 ano que eu estava sentindo vontade de viver novamente desde então e, agora, estava perdendo-a mais uma vez.
Sabe aquela história de “Eu era feliz e não sabia”? Pois é, não se encaixa a mim porque eu tinha plena convicção do sortudo que eu era de ter a família que eu tinha e que ainda tenho. Fui adotado aos 15 anos, foi a dita “adoção tardia”, mas, para mim, foi no tempo perfeito pois era daquela família que eu deveria fazer parte e era naquele exato momento de nossas vidas. Minha mãe sempre quis adotar, mas meu pai era um pouco relutante por causa dos velhos preconceitos como “Não sabemos a origem da criança... se os pais tiverem problemas mentais e a criança herdá-los? Se forem viciados e a criança for viciada também? Não conseguiremos amar da mesma forma e ela vai ficar traumatizada...” Quem nunca ouviu um argumento desse que atire a primeira bandeira branca.
Quando minha mãe finalmente conseguiu convencer meu pai de que era, sim, uma ótima ideia adotar uma vida ansiosa por um lar e por amor, foi no mesmo momento em que eu já estava procurando emprego de menor aprendiz para garantir meu sustento para quando, aos 18 anos, eu tivesse de sair do orfanato e morar sozinho.
Nunca acreditei em amor à primeira vista e já tive duas provas que ele existe. A primeira foi quando vi minha mãe: ela foi ao quintal onde os menores estavam brincando, pintando, desenhando e os maiores, como eu, estavam conversando ou estudando. Eu olhei em direção a ela e, na mesma hora, meu coração esquentou, bateu mais forte, foi uma sensação que eu nunca tive na minha vida; era como se meu espírito já conhecesse o dela; ela estava irradiando luz observando os menores e eu não conseguia tirar os olhos dela. Quando ela me olhou, nitidamente seus olhos encheram de lágrimas, ela tocou no braço de papai e veio atônita em minha direção.
_ Olá! Meu nome é Sandra, e o seu?
_ Tito...
_ Como o da Bíblia?
_ Sim...
Sorrimos um para outro enquanto meu pai nos admirava. Ele sentia que havia algo sobrenatural acontecendo naquele encontro; a cena era linda. E ele estava todo arrepiado.
A segunda prova de que amor à primeira vista existe foi... bom, você já deve imaginar.
_ Filho, você já pode vê-la agora.
(Continua)

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